Com a suposta intenção de sanear a máquina pública do Estado, cortando recursos, o Governo Yeda, na pessoa da Secretária de Educação, Mariza Abreu, tem reduzido o número de turmas e fechado escolas. Porém, é preciso compreender, que por trás deste suposto saneamento de contas, encontra-se o real interesse de sucatear e, até mesmo, destruir a educação pública no Estado do Rio Grande do Sul.
O inchaço das salas de aula causado pelo fechamento de cerca de 2000 turmas e de 105 escolas em todo estado acarretará na queda sensível de qualidade na educação pública estadual. Não precisa nem ser especialista no assunto para entender e concluir isto. Uma sala de aula lotada faz com que o educador não possa atender de maneira satisfatória a todos os alunos. Imagine uma aula de Língua Portuguesa, uma das disciplinas que leciono, ou de Matemática, entre outras matérias escolares, que exigem, freqüentemente, atendimento individual aos alunos em uma sala de aula com 45 estudantes. Será possível, nestas condições, que o professor atenda de maneira satisfatória a todos os alunos? Quem responder que sim que me ensine a mágica ou que passe a pensar racionalmente.
O Estado mínimo neoliberal superlota salas de aula sem dar condições de trabalho dignas aos professores e sem fornecer os recursos para uma educação de qualidade. Para exemplificar, no ano que passou, o Instituto Olívia, que responde por um curso de formação de professores (Curso Normal), ficou a totalidade do ano letivo com a biblioteca fechada, pois o governo de Estado não designou ninguém para atender neste indispensável setor escolar.
Já no ano passado pronunciei-me, no jornal Panorama, de Taquara, sobre a maneira de condução das políticas públicas no Governo Yeda, o que afetava sobretudo a educação: “A governadora Yeda Crusius foi eleita convencendo a maioria da população gaúcha de que seria capaz de colocar em prática um novo jeito de governar. Muitos criaram a expectativa de que isto seria possível, no entanto, depois de pouco mais de cem dias de governo, o que se percebe é que a nova forma de governo é a aplicação do velho modelo neoliberal que prega um Estado mínimo e promove a destruição dos serviços básicos para a população.” Nesse novo jeito de governar, veio um novo jeito de educar que nos lega uma escola pública sem pessoal para a limpeza, para a biblioteca, para o laboratório de informática e para os setores pedagógicos, e empilha alunos em sala de aula.
Se a comunidade escolar (professores, pais e alunos) e a sociedade civil como um todo querem uma educação de qualidade no RS, que se mobilizem; já se querem uma educação destruída, sem qualidade, que cruzem os braços. No nosso Estado, tem-se realizado um processo de sucateamento da educação pelo Governo do Estado, o que não cessará e nem se reverterá sem a mobilização efetiva da sociedade, exigindo um outro modelo de administração da educação pelo Governo Estadual. Caso contrário, sem mobilização, a situação tende a piorar.
Rafael Hofmeister de Aguiar
Professor no Instituto Estadual de Educação Olívia Lahm Hirt (Igrejinha-RS)
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