quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

CAMINHOS PARA A EDUCAÇÃO

“Se a educação sozinha não transforma a sociedade, tampouco, sem ela, a sociedade se transforma”.
Paulo Freire

É difícil deixar de refletir e comparar, na distância que se acentua, a educação pública dos tempos pós-modernos com aquela que esperávamos conduziria os povos ao progresso, à felicidade universal, à autonomia individual e coletiva.
Entre os pesquisadores e teóricos que analisam a Educação Pública no Ocidente um consenso se institui com uma quase-unanimidade: há um descaso do poder público com a educação ou, na melhor das hipóteses, uma orientação economicista que não opera segundo um conceito de educação como investimento social, humano e ético-cultural.
Tal constatação não deve nos conduzir apenas ao campo das discussões teóricas e generalizadas mas, ao contrário, a apontar aquilo que é específico, particular e concreto, que possa ser relacionado ao que é opinião entre estudiosos do assunto para inclusive testar suas afirmativas.
No caso do RS, do atual Governo do Estado e sua política educacional, olhando do lugar de professor da rede pública do estado, as medidas que começaram a ser implementadas só têm equivalência_ me parece sensato concluir_ ao desastroso calendário rotativo do Governo Collares.
Alguns exemplos destas medidas iniciaram-se já no segundo semestre de 2007, cujo mais dramático foi o que amontoou alunos de turmas diferentes e séries diferentes em uma mesma sala de aula.
Fica difícil pensarmos em educação pública de qualidade com conceitos como enturmação e multisseriação. Mais difícil ao percebermos que o ano letivo de 2008 no Rio Grande do Sul, como se sabe, iniciará recheado de mudanças que afetarão o processo pedagógico no qual estará envolvida a comunidade escolar gaúcha da rede pública estadual.
Ao que parece, ou ao que me parece, o Governo Yeda tem tratado a educação pública a partir de um enfoque meramente econômico, economicista, com base no princípio da relação custo-benefício orientada para um mínimo de investimento com o máximo de resultados educacionais. Entretanto, o mérito educacional é dos trabalhadores em educação e dos educandos, ainda que não haja, por parte da atual política educacional, um compromisso libertário e transformador com uma educação que se possa dizer pública, de qualidade e democrática.
Não fosse apenas isto e como se não bastasse, não é preciso ser muito inteligente para concluir que, de imediato dois problemas, no mínimo, estão sendo criados: um diz respeito à saúde mental dos trabalhadores em educação e ao estress dos alunos e, outro, diz respeito à demissão de professores contratados.Quanto ao primeiro, tal constatação é previsível tanto no que se refere às salas inapropriadas no quesito metro quadrado por pessoa quanto pela angustiante, preocupante e desmotivadora insuficiência de recursos pedagógicos para a garantia do pleno processo de ensino. Quanto ao segundo, pela óbvia contribuição do atual governo do estado para com os índices de desemprego entre trabalhadores em educação no Rio Grande do Sul.
E os caminhos para a educação? Estão perdidos na dimensão das palavras pois já denunciara Drummond: “dos contratos que tu lavras não vi, amor, valimento, só palavras e palavras feitas de sonho e de vento”.

Paulo César Machado
Professor de História, Diretor do Núcleo de Guaíba

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